sábado, 13 de março de 2010

A viola e o violeiro

texto de Aquiles Rique Reis* sobre o CD "Dez Cordas do Brasil", de Jaime Alem

    Dez Cordas do Brasil (lançamento do selo Repique Brasil, do cantor, instrumentista e arranjador Chico Adnet, ele que é também o produtor executivo do trabalho) é o primeiro CD instrumental solo do compositor, instrumentista e arranjador Jaime Alem.
   
    Nascido no interior paulista, Jaime conviveu com o sabor das coisas simples, das quais absorveu o saber profundo do que é ser de algum lugar, do que é pertencer a uma aldeia, nela se fortalecendo até partir, para botar a boca no mundo e o pé na estrada, e, enfim, perder-se até ganhar a vida.

    A viola de dez cordas tem o som do mundo. Nele, árabes e nordestinos, portugueses e mineiros têm o mesmo linguajar. Nele, o ponteado é do campo e é da cidade; suas modas vêm de raízes rasas e profundas; seu dedilhar traz o cateretê e o maxixe, a ciranda e o calango. Seu toque é inconfundível. Mas por vezes, para a ele agregar novas sonoridades, Jaime se valeu de uma viola de doze e de um violão de seis cordas de náilon.

    Para gravar seu disco, treze imagens vieram-lhe à cabeça e logo se materializaram na ponta dos dedos: uma barcaça desce um rio, na proa vislumbra-se um violeiro; o cheiro de um bolinho de arroz recheado com pedaços de toucinho atiça o desejo; dançarinos brincam na roda de uma ciranda em Parati; na Estação da Luz paulistana, violeiros esmoleiros, ao som de uma viola tosca, com apenas uma corda, passam o chapéu; um cheiro sugere Minas Gerais; a lembrança de um guitarrista; a mó macetando grãos; a fiandeira tecendo na roca; Minas e Pernambuco, uma só beleza; um violeiro brabo impõe respeito aos roqueiros de uma cidadezinha do interior; um berimbau tocado sobre a perna; uma Ave-Maria nascida ao acaso; um agalopado a tudo carrega para longe, sem pressa...

    E assim, feito parto natural, doloroso, rápido, comovente e tocante, as treze peças nasceram sob a vivacidade da emoção relembrada.

    O ponteando da viola faz de “Costeira do Rio” um símbolo do que virá; “Pracatugudum” é samba rural suingado e malicioso; “Moda de Uma Corda Só” tem rica linha melódica tocada em apenas uma corda e surpreende com a referência a “1x0”, o famoso choro de Pixinguinha; “Sonata do Agreste” é pungente em sua mistura de climas e andamentos; “Moenda” e “Romance da Moura”, plenas de improvisos e de contrapontos, se complementam, talvez pudessem ser uma única música; “Ave Maria das Violas” é cantada emocionadamente, com a letra original em latim, por Jaime Alem.

    Dez Cordas do Brasil confirma o quão viscerosa é a viola de dez cordas para Alem. Foi a partir do contato dela com seu peito, já dentro de um estúdio (onde entrou sem sequer uma composição pronta), que numa catarse musical-afetiva pôs-se a desarrumar emoções, saudades e lembranças. Desfragmentou-as a partir da estética sonora de um instrumento singular, tão familiar quanto íntimo. Assim foi criado o repertório que gravou, simples e instigante como um tênue fluxo de luz filtrado de uma nuvem escura no céu agreste.

*Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4


Diário do Comércio (SP), Meio Norte (Teresina), A Gazeta (Cuiabá), Jornal da Cidade (Poços de Caldas) e no Brazilian Voice (uma publicação voltada para os brasileiros residentes em toda costa leste dos EUA).

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fazer arte no Brasil, por Aquiles Reis, integrante do MPB4


Fazer arte no Brasil é correr atrás, matar e cozinhar um leão por minuto. Vivemos da arte de sobreviver. Criamos da lama. Plantamos no asfalto. Colhemos do sacrifício. Sonhamos para dormir. Levantamos para suar. Muitas vezes dormindo sem esperança e acordando cheio dela. Alimentando-nos de promessa. Buscando inspiração nos gabinetes públicos e privados. Patrocínio. Palavra mágica tão distante. Caçando ideias nas calçadas, nos bares - onde afogamos mágoas infinitas - , nos ônibus e metrô. Vendendo ideias àqueles que nem sempre entendem de sonhos. (...)
De traquinagem em traquinagem, essa legião de "arteiros" vai traçando o perfil das cidadãs e cidadãos que nascem nesse país.
(Aquiles Reis, cantor, integrante do MPB4)

Maurício Tizumba lança CD e DVD no Centro do Rio



MAURICIO TIZUMBA E TRIO

Artista mineiro lança CD e DVD na Sala Funarte Sidney Miller com preços populares

Em seus 35 anos de carreira, Mauricio Tizumba fez um percurso de grande relevância para as artes e a cultura afro-brasileira, divulgando o congado mineiro (manifestação religiosa com mais de três séculos de existência) e mostrando a sua importância e presença na identidade do nosso povo.

Sua trajetória marca também a luta e a conquista de ampliar o acesso à cultura em Minas Gerais, democratizando a arte a todas as classes e grupos sociais. Seus trabalhos sempre buscaram as ruas, praças e povo, com o objetivo claro de sensibilização para a arte, para a cultura negra e cultura em geral. Cantando em todas as cores, tamanhos e regiões.

Acompanhado pelo trio com o qual se apresenta há cerca de dez anos, formado pelas cantoras e percussionistas Raquel Coutinho, Beth Leivas e Danuza Menezes, Tizumba apresentará o repertório de seu novo trabalho o CD e DVD “Mauricio Tizumba no Mercado”, gravado ao vivo no Mercado Distrital do Cruzeiro em Belo Horizonte. São canções que passeiam pelos seus 35 anos de carreira, remetem ao primeiro LP “Caras e Caretas” (1991), como “Camelô de Farol”, canções extraídas do congado e da folia de reis, sucessos dos discos “África Gerais” (1996) e “Mozambique” (2003) como “Sá Rainha” e “Maurice a Paris”, além de canções inéditas e composições de Sérgio Pererê, Pereira da Viola e Vander Lee.

A convite do IBRIT (Instituto Brasil Itália), Mauricio Tizumba e Trio se apresentaram em Milão dentro do evento "Orumila Zumbi". Representando o estado de Minas Gerais, fizeram parte do grupo de artistas selecionados para se apresentarem na França onde se comemorou o “Ano do Brasil na França”. Dividiram o palco com Milton Nascimento no show Tambores de Minas em Nova Yorque. O show também foi apresentado na Alemanha (Copa da Cultura) durante a 18ª edição da Popkomm, uma das maiores feiras de música da Europa.


Serviço:
Maurício Tizumba e Trio
Artista mineiro lança CD e DVD na Sala Funarte Sidney Miller.
Sala Funarte Sidney Miller
Rua da Imprensa, 16, térreo - Centro
Tel.: (21) 2279 8104
Dia 4 de dezembro de 2009, sexta-feira
Horário: 19h
Ingresso: R$ 5,00 (inteira), R$ 2,00 (meia)

Mais sobre Maurício Tizumba em www.tizumba.com

domingo, 22 de novembro de 2009

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